Super Times icônicos da NBA

 

Chegando na terceira final consecutiva entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors, a NBA vive atualmente uma época dominada por super-times. Não que seja a primeira vez, longe disso. Diversos super-times já dominaram a liga ao longo dessas décadas de existência. Sejam formados via Draft, Free Angencies, trocas, ou até mesmo nas chamadas “panelas”(fala ai LeBron), esses são times que não oferecem nenhuma chance aos seus adversários. Embora muitas vezes criticados e alvos de grande ódio por parte dos torcedores rivais, os super-times marcam épocas com suas dinastias e com suas super estrelas.

Nesse artigo vamos lembrar um pouco de alguns dos mais icônicos super-times da historia da NBA, e tentar entender um pouco de como eles impactaram o jogo.

O proposito do texto não é ranquear os times, nem listar os melhores ou, muito menos, todos os super-times da história. Portanto, se seu time preferido não for citado… ¯\_(ツ)_/¯

 

Boston Celtics de Bill Russell

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Não tem como começar esse artigo não falando desse time. Por que? Bom, Entre 1957 e 1969 foram 12(!) aparições em finais. O time ganhou 8(!!) títulos seguidos e durante a década de 60 foram “só” 9(!!!) canecos conquistados. Bill Russell, o grande ídolo desse time, tem 11(!!!!) anéis. Se você não sabia porque o prêmio de Finals MVP levava o nome deste senhor, aí está o porque. Durante uma década inteira, ELE era a final da NBA.

Obviamente que a liga naqueles tempos era muito diferente dos dias de hoje. A NBA só foi ter 10 times competindo na temporada de 1966-67, e no final da década eram apenas 14 times na liga. Não que nada disso diminua o feito do super-time do Celtics, mas serve para ilustrar que algo assim nos dias de hoje é mais difícil de acontecer do que um título do Clippers. Agora vamos voltar uns anos e entender como esse time foi montado.

O Celtics vivia tempos difíceis nos anos 50, até que a chegada de Red Auerbach mudou a história da franquia. Red era o mais novo treinador, Scout e GM do time. A mente por trás do Celtics. A estrutura do time era tão precária na época, que Red não tinha nenhum assistente e também era o responsável por organizar todas as viagens do time. Mas apesar de tudo isso, na década de 50, Red draftou a primeira estrela do time, o armador Bob Cousy, dando inicio a uma nova era. Na temporada de 55-56, em uma troca com o St. Louis Hawks, Red Auerbach consegue uma segunda pick no draft, que se transformaria mais tarde em Bill Russell. Red ainda iria adquirir o então Rookie of the Year Tommy Heinsohn para completar seu esquadrão de estrelas. No ano seguinte, 1958, a adição de K.C Jones deixou o time ainda mais forte, e estava formada a base de um dos times mais vitoriosos de toda a história do esporte.

E esse time não foi importante apenas dentro das quadras. Em 1964 o Celtics se tornou o primeiro time da história da NBA com o quinteto inicial composto inteiramente por jogadores afro-americanos, com Willie Naulls, Tom ‘Satch’ Sanders, K.C. Jones, Sam Jones e Bill Russell em um período de extrema segregação racial nos Estados Unidos. E de novo o time quebrou paradigmas em 1966 quando Bill Russell assumiu, enquanto continuava jogando, o posto técnico do time, se tornando o primeiro treinador negro da história da NBA.

O domínio do Celtics na liga só teve seu fim em 1969, quando Bill Russell anunciava sua aposentadoria, e até os dias de hoje, nenhum outro time nas ligas americanas conseguiu o feito de 8 campeonatos consecutivos.

Se você AINDA não está impressionado, saiba que o time de 1962-63 do Celtics possui o recorde de mais membros do Hall da Fama em um único elenco. São 9 integrantes: Bill Russell, Tom Heinsohn, Clyde Lovellette, John Havlicek, Frank Ramsey, Satch Sanders, Sam Jones, K.C. Jones e Bob Cousy.

Showtime Lakers

Pat Riley and Magic Johnson Game Portrait

Frequentemente citado como um dos maiores e melhores times da história, o Los Angeles Lakers da década de 80 ficou conhecido como Showtime devido a sua maneira eletrizante de jogar. Um jogo do Lakers dessa época era literalmente um show. Liderado pelo lendário técnico Pat Riley, o time baseava seu jogo em um “Run-and-Gun” com contra-ataques rápidos e precisos com uma habilidade dificilmente vista em um estilo de jogo tão rápido, e muitas vezes, até apressado. E com um maestro como Magic Johnson, não poderia ser diferente.

Tudo começou em 1979, quando Jerry Buss comprou a franquia. Dr. Buss não queria apenas um time competitivo, ele queria um time pra entreter. Pra atingir esse objetivo, ele insistiu para que o time jogasse dessa forma “rápida”, contratou uma banda pra animar os jogos e foi um dos primeiros a contratar dançarinas, as famosas cheerleaders para os jogos no lendário “The Forum”. Os jogos do Lakers também ficaram, com o tempo, conhecidos como um evento “imã” de celebridades. O Lakers se tornava o time de Hollywood.

Mas é claro que, apesar de contribuir para a criação de toda essa glamorosa imagem que cerca esse time, o fator extra-quadra era apenas um “luxo” desnecessário. O verdadeiro show acontecia dentro das 4 linhas.

Com 8 aparições em finais e 5 títulos conquistados, a maestria de Magic Johnson e a habilidade nata de Kareem Abdul-Jabbar em pontuar levaram a franquia a um nível poucas vezes antes visto no esporte.

Magic Johnson, Byron Scott, James Worthy, A.C Green e Kareem Abdul-Jabbar foi o quinteto titular que marcou essa geração, sendo que todos, com exceção de Kareem, foram draftados pelo Lakers ou trocados logo após o Draft. O banco ainda contava com nomes como Kurt Rambis, Mychal Thompson e Michael Cooper. No time de 86-87 eram 3 Hall of Famers no elenco que ainda era comandado por um dos maiores head coaches da história da NBA, Pat Riley. O rating de 99 no NBA2K não é a toa.

Os Bad-Boys de Detroit

badboys

E a NBA não ficou órfã de super-times após o fim do reinado do Showtime. Na verdade, esse time foi o responsável por selar o fim desse reinado. Odiado e amado com forças equivalentes, não tem como falar dos times mais icônicos da liga sem citar o Pistons do final dos anos 80 e começo dos anos 90.

Movidos por um estilo de jogo que priorizava a defesa e a marcação pesada, os Pistons não eram amados por seus adversários. Se você acha jogadores como Draymond Green e Matthew Dellavedova sujos, te convido pra ver alguns vídeos dos Bad Boys. Com uma defesa que está entre as melhores da historia da NBA, o Pistons praticava um jogo físico e bruto que fazia qualquer garrafão da liga tremer de medo. Os jogadores do Detroit eram odiados e temidos por toda a NBA. É algo que nunca aconteceria na liga que temos hoje por conta do critério mais rígido dos árbitros atuais. Inclusive pode se dizer que esse time foi um dos responsáveis pela mudança nos critérios da liga ao longo dos anos. Tudo isso foi o que rendeu a essa equipe o nada carinhoso apelido – Os Bad Boys.

Tudo começou em 1981 quando a franquia selecionou o lendário armador Isiah Thomas na segunda escolha do Draft, o jogador que seria o grande líder desse time. Duas peças importantes chegaram logo em seguida: Vinnie Johnson e Bill Laimbeer. Nos anos seguintes, peças como Joe Dumars, Dennis Rodman e Rick Mahorn chegaram para reforçar o time. Estava formada a base dos Bad-Boys, com um incrível entrosamento e uma mentalidade em comum dos jogadores: destruir o adversário. E um dos principais fatores para o florescimento dessa mentalidade no time foi justamente o Showtime Lakers.

Depois de perder a final da NBA em 7 jogos para o Lakers de Magic Johnson, Detroit virou um outro time. Isso resultou em um bi campeonato do time, em 89(contra o mesmo Lakers) e em 90, contra um fortíssimo time do Trail Blazers. O lendário bi campeão time tinha em seu quinteto inicial os já citados Isiah Thomas, Joe Dumars, Dennis Rodman, Rick Mahorn e Bill Lambeer. O time ainda era treinado por Chuck Daly, que mais tarde seria o treinador do mítico Dream Team de 1992.

Com 3 aparições em finais e 2 títulos, os Bad Boys também fizeram história com algo um tanto quanto curioso: as “Jordan Rules”.

Antes de explicar do que elas se tratavam, precisamos ressaltar que ninguém sofreu com esse time de Detroit tanto quanto o Bulls de Jordan. Eliminados 3 vezes consecutivas pelos Bad Boys, o Bulls e principalmente Jordan, recebiam um tratamento um tanto quanto “especial” por parte dos Pistons. Obviamente devido a qualidade absurda de Jordan, as equipes sofriam tentando achar um modo de pará-lo, e o modo que Detroit desenvolveu foi esse. As chamadas “Jordan Rules” eram técnicas e táticas defensivas específicas que o time aplicava contra o pobre coitado astro de Chicago que, muitas vezes literalmente, apanhava e sofria contra Isiah Thomas e companhia.

Bulls de Jordan

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Outra equipe frequentemente citada como a melhor da história da liga e com certeza uma das mais icônicas. Tudo começa em 1984, quando o Bulls tinha a pick 3 do Draft. A franquia entrava em processo de reconstrução e escolheram o jovem Michael Jordan pra ser o principal jogador nessa nova era do time. No draft de 1987, o Bulls mandaria suas picks 8 e 10 para Seattle em troca de uma pick 5, que acabou se tornando Scottie Pippen, o lendário parceiro de Jordan.

Mas as coisas demoraram um certo tempo pra dar certo pro time de Chicago. Os anos 80 foram de grande dominância do Celtics no lado leste, sem contar o time do Pistons, que como foi citado anteriormente deu muito trabalho pra Jordan e companhia. Mas tudo muda quando Phil Jackson, assistente técnico do time, se torna o técnico principal. Nascia uma das dinastias mais lendárias da história do esporte.

Com John Paxson, Michael Jordan, Scottie Pippen, Horace Grant e Bill Cartwright no quinteto titular, o Bulls conquistava seu primeiro three-peat. Em 91, derrotaram os Bad Boys nas finais de conferência e o Lakers de Magic Johnson nas finais da liga. Em 92 foram campeões em cima do Blazers do lendário Clyde Drexler. Já em 93, a vitima foi o Phoenix Suns de Charles Barkley. Como você percebeu, o caminho do Bulls não era nada fácil.

Depois do assassinato de seu pai, Jordan chocava o mundo ao anunciar sua aposentadoria precoce. Felizmente para o Bulls, as “férias” de Jordan duraram só 2 temporadas, e o time voltava a ser uma maquina já em 95-96.

Com Ron Harper, Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman e Luc Longley no time titular e o banco mais forte da liga, liderado por Steve Kerr e Toni Kukoc, o Chicago Bulls chegava ao seu segundo three-peat. Com um recorde de apenas 10 derrotas em uma temporada(recorde que só foi ser batido ano passado pelo Warriors), o Bulls de 95-96, considerado o mais forte dessa dinastia, conquistou o título em cima do Supersonics de Gary Payton.

Só pra ilustrar um pouco o quão absurdo era esse time, aqui vai alguns fatos: Nessa temporada, Jordan foi MVP da temporada regular, do All-Star game e das finais, além de ter sido o cestinha da temporada. Rodman foi o líder da liga em rebotes e Kerr foi o segundo da liga em porcentagem de arremessos de 3 pontos. O GM, Krause foi eleito o executivo do ano, Phil Jackson ganhou o prêmio de COY e Kukoc foi o 6th Man of the Year. Tanto Jordan quanto Pippen foram escolhidos para o All-NBA First Team. E esses dois, junto com Rodman ainda foram escolhidos para o All-Defensive First Team, sendo essa a primeira vez na história em que 3 jogadores do mesmo time conseguem esse feito. Ta bom pra você?

O domínio da franquia continuou por mais dois anos, sendo que em 96-97, com um recorde de 69-13, o time foi campeão em cima do lendário Jazz de Stockton e Malone. Na temporada seguinte os dois times se reencontraram, sendo que em um homérico e histórico arremesso faltando 5.2 segundos para o fim do jogo, Jordan deu para o Bulls o 6 título da franquia.

Apesar de ter feito história com 6 títulos em 6 finais, ainda fica um questionamento eterno pro torcedor do Bulls. O que aconteceria se Jordan não tivesse tirado 2 anos de férias? O Bulls ganharia 8 títulos seguidos, igualando o Celtics?

Big 3 San Antonio Spurs

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Uma das franquias mais vitoriosas desses século, o Spurs vinha de um outro super-time quando o Big 3 se formou. As chamadas “Twin Towers”, David Robinson e Tim Duncan, levaram a franquia à seu primeiro campeonato em 1999, e repetiram o feito em 2003, quando Robinson se aposentou.

Com Robinson fora, Popovich e a diretoria do Spurs foram em busca de peças pra montar um forte time ao redor de Duncan. O armador selecionado no draft de 2001 pelo Spurs, Tony Parker, a cada ano evoluía e garantia seu espaço no time, enquanto o mesmo acontecia com Manu Ginóbili, que foi selecionado no draft de 2001 mas só estreou no time em 2002. E estava formado um dos Big 3’s mais vitoriosos da história da NBA.

No primeiro ano do Big 3, os comandados de Gregg Popovich já ganharam seu primeiro título juntos. Com Bruce Bowen, Robert Horry, Tony Parker, Tim Duncan e Manu Ginóbili no quinteto titular, a equipe texana derrotou o Pistons, campeão de temporada anterior, nas finais. Tim Duncan se tornava o quarto jogador da história a ganhar o título de Finals MVP 4 vezes.

O Big 3 se manteve junto durante toda a década, mantendo a franquia sempre entre as mais fortes da NBA por todo o ano 2000. Juntos ainda foram campeões mais 3 vezes(2005, 2007 e 2014) e vices em 2013.

Com mais de 1000 vitórias juntos, o trio que é considerado um dos melhores da história do basquete acumulou diversos recordes, prêmios de MVP, 6th Man, convocações para o All-Star Game e para os times ideais da liga.

Vale lembrar que no último título do trio em 2014, Kawhi Leonard já estava a caminho de substituir Duncan como a grande estrela do time, responsável por manter a franquia no topo. Leonard acabou sendo o MVP daquelas finais, no que muitos consideram que foi a “passagem do bastão” de Duncan para Kawhi.

Big 3 de Miami

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Depois do campeonato de 2006 junto com Shaquille O’Neal, Dwyane Wade teve anos difíceis com o Heat. Em 2006 e 2007 o time teve péssimos recordes e não conseguiu chegar aos playoffs. As coisas só começaram a mudar quando o assistente técnico de longa data, Erik Spoelstra foi promovido a Head Coach. O Heat conseguiu chegar nos playoffs 2 anos seguidos, mas sendo eliminado no primeiro round ambas as vezes.

O time entrava na Off Season de 2010-11 com 48 milhões pra gastar em uma safra de Free Agents talentosíssima. O time trouxe a estrela do Raptors, ala pivô Chris Bosh pra juntar forças com Wade. E logo após, o acontecimento mais importante da história da franquia abalou o mundo dos esportes.

LeBron James, astro do Cleveland Cavaliers, anunciava que ia “levar seus talentos” para South Beach. LeBron deixou para trás uma enfurecida cidade para buscar em Miami seu primeiro anel de campeão da NBA. A franquia ainda adicionaria ao seu elenco um banco de peso, que contava com nomes como Ray Allen e Shane Battier(chegou em 2012), que foram de suma importância para o sucesso do time . Se formava um dos super times mais icônicos da década.

O Big 3 ficou junto por 4 anos, e nos 4 conseguiu chegar às finais na NBA. Em 2011 o time acabou perdendo para a lenda Dirk Nowitzki e seu Dallas Mavericks. Em 2012, depois de embates épicos com Pacers e Celtics nos playoffs, o time conseguiu chegar novamente às finais. Contra o já saudoso time de OKC de Durant, Westbrook, Harden e Ibaka, o time de Miami saiu vitorioso e LeBron James, MVP das finais, conseguia enfim seu primeiro título. No ano seguinte a franquia bateu vários recordes. Foi o primeiro time a ganhar 17 jogos em um único mês e ganhou 18 de 19 jogos fora de casa no final da temporada, recorde da liga. O time terminou o ano com apenas 16 derrotas, sendo a melhor temporada da história da franquia. O Heat chegaria nos playoffs como favoritos ao título. Depois de outro épico confronto de 7 jogos com o forte Pacers de Paul George, o time chegaria às finais para enfrentar o lendário, e já citado aqui, Big 3 do Spurs. Em 7 jogos, o time de LeBron, que acabou sendo novamente o MVP das finais, venceu San Antonio, se tornando o primeiro time do leste desde o Bulls de Jordan a ganhar pelo menos 2 títulos em sequência.

Na temporada seguinte, o time sofreu com lesões de Wade na temporada regular, mas entrou no playoffs com o Big 3 saudável e em busca do famigerado 3-Peat. Enfrentando novamente o Pacers na final de conferência, o time do Heat chegou à mais uma final contra o time do Spurs. Dessa vez Kawhi e companhia venceram em 5 jogos e colocaram um fim no domínio do Heat.

No ano seguinte LeBron voltaria para Cleveland pra dar o título que ele prometeu à cidade e o Heat ficaria sem seu maior astro. O Big 3 terminou seu legado com 4 finais e 2 campeonatos e muitos creditam à ele o polêmico modelo de super times atual, onde estrelas se juntam entre si para buscar um campeonato. Gostando ou não, o Heat de LeBron James mudou a liga para sempre.

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