Saudades de 2000 – Shaquille O’Neal

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 Este é um guia um tanto quanto informal dos ídolos da NBA na década passada. Não é saudosismo, nem a subvalorização das atuais estrelas da liga. Apenas apreciação de umas das melhores gerações, em quesito talento e estrelismo, que os amantes da NBA tiveram. Quaisquer traços de parcialidade ou empolgação exacerbada são mera coincidência.

Shaquille O’Neal

Dominante. O adjetivo o descreve muito bem. Um dos jogadores mais cativantes da história da NBA, Shaq é a junção do Legolas, num corpo de um troll (os nerds vão à loucura). Uma combinação assombrosa de força, agilidade e percepção de quadra, fizeram do camisa 34 (aposentada nos Los Angeles Lakers) a verdadeira estrela da NBA em seus anos de glória. Não havia como pará-lo. Você que se delicia com os gritos histéricos de “DOUTRINANDO!” nas narrações do Rômulo Mendonça, sugiro que veja vídeos da série das Finais de 2000 no confronto entre Lakers e Indiana Pacers. Não era doutrinação, era simplesmente separar a alma do corpo do indivíduo e elevá-lo ao mais alto grau de reflexão da razão de estar em uma quadra de basquete sendo humilhado física e psicologicamente em rede nacional. Não há como discordar, ele era a maior estrela da liga e, por consequência, do Lakers nos três campeonatos consecutivos, nos primórdios do século XXI. Não se apegue à números, enterradas, tocos, trombadas, socos, arrancadas, passes, nem mesmo em tabelas quebradas. A dominância de Shaquille O’Neal vai além das nuances tangíveis do basquetebol. Alcançou a moral.

Quem vê a NBA desde que começou a ser transmitida nos canais SporTV, tira conclusões de que quem converte lances livres é craque. É recorrente também o ‘hack-a-pivô-ruim’ e os defensores do ‘basquete jogado’ e outras besteiras. Isso se deve a ignorância que era Shaquille O’Neal numa quadra de basquete. Como todo jogador de basquete (menos o Kobe), Shaq tinha ponto fraco em seu jogo, além de ser cabeça de bagre. Ele era terrivelmente péssimo na linha de lances livres. Bizarras eram as cenas do Diesel, que segurava três quartos da bola de basquete com uma das mãos e sua mecânica de arremesso mais feia que o D.J Mbenga. Como parar o homem? Já tem sua resposta. Estratégia iniciada por Gregg Popovich e que faz escola até hoje.

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Serenidade no olhar de quem não gosta do Byra Bello.

Shaq não só chamava atenção dentro de uma quadra de basquete, no alto dos seus 2,16 metros e 147kg, o homem era (e ainda é) um poliglota midiático. Aos que gostam de rap, apreciem os 7 álbuns lançados por ele. (PS: um exercício de imaginação: imagine a voz do cara, dos quadros de Shaqtin’ a Fool e tente enquadrar num rap. Ou se torna sensacional pela voz áspera, ou muito engraçado). Hollywood também não escapou, foram 12 atuações em filmes. Já lutou MMA e hoje é comentarista no Inside the NBA.

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Shaq fazendo biquinho porque tem menos anéis que o Kobe.

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Clássico.

Carreira

Nascido em Newark, Nova Jersey (1972), Shaq mudou-se para a Alemanha aos 12 anos, acompanhando seu padrasto e família. Aos 13(!!!) anos, o menino ostentava 2,03 metros e, ainda em solo germânico, conheceu Dale Brown, o então técnico da Universidade da Louisiana (LSU), que desde já, o recrutou para ingressar a Universidade, mesmo que sua idade fosse de garotos do Ensino Médio. De volta aos Estados Unidos, aos 15 anos, O’Neal ingressou na Robert G. Cole High School em San Antonio, Texas, onde conquistou o título estadual, com seus 2,13 metros e 117kg.

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Onde está o Shaq?

Aos 18 anos, ingressou em LSU, para cursar administração. Não chamou tanta atenção em seu primeiro ano, por conta de assimilar seu físico ao jogo. Já em sua segunda temporada, agregado a um grande salto em aperfeiçoamento do seu físico, Shaq dominou a NCAA com médias de 28.5 ppg, 15.2 rpg e 4.8 bpg e 63.9% de aproveitamento dos arremessos. Chamou atenção de todos que o acompanhavam e comparações não faltaram, colocando-o em conversas que,  nomes consagrados e futuros Hall of Fame da NBA, como Patrick Ewing, Charles Barkley e Karl Malone, pertenciam. Dale Brown trouxe Kareem Abdul Jabbar e Bill Walton para auxiliarem Shaq a moldar seu jogo em sua terceira temporada na universidade, sua última em LSU, apesar de sua vontade de se graduar antes de se eleger para o draft da NBA.

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Não foi dessa vez que ele quebrou a tabela. 

Shaq era assombroso. Teve sua camisa #33 aposentada por LSU e uma estátua de bronze em tamanho real.

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Tão sinistro que até tabela de bronze quebrou. Que homem!

Em 1992, foi draftado pelo Orlando Magic na primeira escolha geral do recrutamento. Foi um divisor de águas para a franquia. Logo em sua primeira semana na liga, Shaq levou o prêmio de melhor jogador no período. Dominante. Calouro do ano e primeiro rookie a atuar como titular no All Star Game desde Jordan. Era apenas o começo de uma carreira monumental. Apresentar números, como os 29.4ppg e 13.2rpg em sua segunda temporada de NBA, além de se colocar entre os dez primeiros colocados em quatro categorias (pontos, rebotes, tocos e aproveitamento dos arremessos)no seu primeiro ano na NBA, só evidenciam sua dominância. Mas como foi dito no começo do artigo, não se apegue a eles.

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Shaq mostrando quantos dentes ele havia quebrado naquela noite.

Em sua terceira temporada na liga, junto ao seu fiel escudeiro e parceiro de All Star Game, Penny Hardaway, o Magic foi pela primeira vez aos playoffs. Mais que isso, venceu a conferência leste e o Chicago Bulls de Michael Jordan. Parou apenas nas Finais, onde caiu para o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon e Drexler.

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Hakeem faz cóceguinhas no bíceps do Shaq pra acabar com sua força.

Então em 1996, no término do seu contrato com o Orlando Magic, Shaq, então agente livre, assinou contrato de sete anos com o Los Angeles Lakers, por onde, você já sabe, passou seu auge técnico, físico, opressor e vencedor. Levou três temporadas para o time de Shaq e Kobe levarem o primeiro dos três títulos consecutivos, apesar de alcançarem as finais de conferência nas duas temporadas anteriores. Indiana Pacers em 2000, Sixers no ano seguinte e Nets no terceiro ano, foram as séries vencidas, todas coroando Shaq como MVP das Finais, além de ter batido times como o Spurs de David Robinson e Tim Duncan, o Blazers de Pippen e Rasheed Wallace e o Kings de Divac, Bibby e Chris Webber. Havia espaço para muito mais conquistas. Era um time coeso, com um dos melhores técnicos da história da NBA e com uma dupla nova, talentosa e gananciosa.

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Shaq avista o vendedor de donuts na torcida.

Em 2004 o supertime com Gary Payton, Kobe, Karl Malone e Shaq foi montado e a falha em perder para aquele time sinistro do Pistons abriu uma série de acontecimentos chatos (que você pode encontrar neste belíssimo texto do Dênis http://bolapresa.com.br/kobe-bryant-como-idolo/) os quais não vou descrever ou detalhar aqui.

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“Mas que diabos você almoçou hoje, Shaq?”

Tudo culminou no fim da trajetória de Shaq em Los Angeles vestindo a camisa dourada. Trocado ao Miami Heat por Lamar Odom, Caron Butler, Brian Grant e uma escolha de draft, Shaq, ainda considerado o melhor jogador da liga, chegou à Flórida, que tinha Dwayne Wade como sua principal estrela e foi, novamente, divisor de águas para outra franquia praiana. Mais que o impacto dentro das quadras, geral queria ver o Heat do Shaq e do menino que tinha acabado de ser eleito e já fazia estragos. Foi em 2006 o primeiro título do Miami Heat e o quarto e último da carreira de Shaq. Teve sua camisa aposentada no lado vermelho da Flórida também.

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Shaq dando spoiler do que seria a Mamba Face.

Apesar de ótimos números e apresentações que mostravam a dominância de outrora, o impacto que o qualificou como imparável na liga, já não existia. O corpo cobrava, lesões surgiam e os intensos treinos físicos exigidos por Pat Riley em Miami minaram, gradativamente a resiliência física do Diesel. Foi trocado ao Suns em 2008 por Shawn Marion e Marcus Banks, mas o jogo rápido comandado por Steve Nash não era o mais confortável ao estilo de jogo do homem, apesar de os curandeiros de Phoenix deixarem seu corpinho menos dolorido. Após passagem mal-sucedida (leia-se sem sucesso nos playoffs) foi trocado em 2009 para o Cleveland Cavaliers de LeBron James por Sasha Povlovic, Ben Wallace, uns dinheiros e uma escolha de draft. (Note que o valor de mercado do bitelo só cai. Mais um pouco e o Lakers consegue recrutá-lo novamente pelo Radmanovic, Luke Walton e uns tacos).

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“Que tal a gente parar de correr um pouco, neném?”

Sem sucesso em Ohio também, onde teve seus piores números da carreira e foi derrotado nas finais de conferência pelo Boston Celtics, campeão da temporada e a franquia pela qual jogaria no ano seguinte. Em Boston, aos 38 anos e impulsionado pela rivalidade com o Lakers e Kobe Bryant que já teria 5 anéis a essa altura, assinou um contrato de dois anos recebendo o mínimo para veteranos, tentando dar um caldo na NBA, mas seu corpo já não respondia, disputando apenas 36 jogos na temporada e, após lesões na panturrilha e a derradeira no Aquiles, já não dava mais. Por um vídeo no Twitter anunciou aposentadoria, após 19 anos de carreira.

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Saudades do Kobe. 

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“Vacilão morre cedo.”

Certamente, com exceção de Wilt Chamberlain, que é uma lenda não só pelos recordes surreais e pelos 100 pontos (http://mentalfloss.com/article/12310/did-wilt-chamberlain-really-sleep-20000-women) Shaq foi o jogador mais dominante da história da NBA, sem dúvidas.

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Shaquille O’Seal.

Eu falei pra não se apegar aos números e às enterradas e trombadas, né? Besteira! Se delicie.

Como não sou dos que menciona e não manda link, aqui das Finais contra o Pacers.

Lá vem o negão, cheio de paixão, te catá te catá ♪

Vida para o resto da sua vida, Shaq.

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