Do luxo ao lixo: Como o Lakers foi de Campeão da NBA à vice lanterna de conferência em 4 anos

A NBA, e as ligas americanas em geral, são conhecidas por terem um bom nível de rotatividade em questão de times candidatos ao título. O sistema de draft e o limite de teto salarial igual para todos os times permite que as equipes, teoricamente, tenham chances iguais de chegar ao topo. Porém, algumas franquias parecem ter algo diferenciado. São franquias rodeadas de muito glamour, que conseguem se manter no topo por um período muito longo, estão cheias de lendas em sua história e vários banners pendurados nos tetos de suas arenas. O Los Angeles Lakers, definitivamente está entre estas franquias.

Na década de 60, a equipe teve seu lugar garantido nos Playoffs em todas as temporadas. Nos anos 70, período em que o time foi liderado por figuras como Jerry West(até 74) e Kareem Abdul-Jabbar(a partir de 75) a camisa purple and gold só não esteve na pós-temporada em 2 ocasiões. Na década de 80, talvez a mais gloriosa da história da franquia, o Showtime de Kareem e Magic levou Los Angeles ao topo do esporte, já que o time participou de todos os playoffs da década, com direito à 5 títulos da NBA e 8 títulos de conferência. Já nos anos de 1990, o time de Van Exel e Vlade Divac só não se classificou entre os 8 primeiros da conferência na temporada 1993-94. Os anos 2000 foram igualmente gloriosos e felizes para os torcedores do Lakers. A década começou com a dinastia de Shaq e Kobe e terminou com o bicampeonato de Kobe e Gasol, sendo que nesse meio tempo o time se contentou apenas com a temporada regular só no ano de 2005. E então veio a década de 2010. O começo foi promissor, não da pra negar. Logo em 2010 o time foi campeão e chegou às semi finais de conferência nos 2 anos seguintes. Mas logo em seguida, tudo começou a dar errado.

Uma sucessão de erros, azares e até uma discutível “sabotagem” da liga jogaram a franquia no fundo do poço. Se você contou, da década de 60 até 2012, um período de 52 anos, a franquia ficou longe da pós temporada 4 vezes. De 2014 a 2017, foram mais 4 anos longe dos playoffs. Nesse período, a franquia que era um dos lugares mais cobiçados dos jogadores em busca de um novo time, passou a ser ignorada e ridicularizada no período de contratações. Sem contar os diversos recordes negativos quebrados nesses últimos anos, sendo que o ponto mais baixo foi em 2016, quando a franquia teve sua pior temporada da historia com apenas 17 vitorias em 82 jogos. O Los Angeles Lakers enfim entrava em um processo de reconstrução total. Mas onde foi que tudo deu errado? Porque, depois de tantas décadas com um time competitivo, a franquia não conseguiu se manter bem nesses últimos anos? Vou abordar ao longo desse texto alguns pontos que creio terem sido cruciais para o time estar onde está agora. A você, que como eu, torce para o Lakers, peço que tente segurar a raiva e o choro durante o artigo. Obrigado.

 A troca de Chris Paul

 Comecemos então com o assunto mais polêmico e controverso do texto, a famigerada troca que nunca aconteceu. Aos desinformados, vamos aos fatos: Em 2011, quando ainda jogava no antigo New Orleans Hornets, o jovem Chris Paul, na ocasião com 25 anos de idade, já era um dos melhores armadores da liga. O jogador era sem dúvida alguma o Franchise Player de sua equipe. Até que então foi confirmado: Uma troca envolvendo Lakers, Hornets e Rockets, levaria o cobiçado camisa 3 para a franquia mais vencedora de Los Angeles. A troca em questão, levaria Chris Paul ao Lakers, Pau Gasol ao Rockets e o Hornets receberia Kevin Martin, Luis Scola, Lamar Odom, Goran Dragic, e uma First Round Pick no draft de 2012. Acontece que, apenas 1 hora depois da troca ser divulgada, algo no mínimo bizarro acontece: o então comissário da liga, David Stern, veta a troca. “Por que?”, você acaba de se perguntar. Bom, acontece que na época, a franquia de New Orleans estava sem dono, ou seja, era propriedade da própria NBA. Em outras palavras David Stern era o “dono” do New Orleans Hornets.

O acontecimento deixou a liga e toda a comunidade que a cerca boquiaberta. “Wow”, twittou Chris Paul. “Quando um time te troca e acaba não rolando. E agora?”, foi a reação de Lamar Odom. Stephen A. Smith, repórter da ESPN, divulgou na época que “O irritado all star não se apresentará aos treinos do Hornets. Ao invés disso, vai explorar suas opções legais com Billy Hunter, diretor executivo da Associação de Jogadores da NBA”, o que evidenciava a vontade do jogador de ingressar ao Lakers. “Imagine como Pau não se sente”, disse Lamar Odom. Foi assim que o Lakers acabou sem Chris Paul e com o que provavelmente se tornou um péssimo clima nos bastidores, com a relação entre diretoria e jogadores um tanto desgastada.

Depois de toda essa confusão, a explicação mais plausível que todos aceitaram foi a de que a NBA não iria trocar o jogador até acharem um novo dono para a franquia. E poderia muito bem ser isso. Seria, se menos de uma semana depois o jogador não tivesse sido mandado para o Los Angeles Clippers, em troca de Eric Gordon, Chris Kaman, Al-Farouq Aminu e 1 pick de primeiro round no Draft de 2012, um pacote um tanto quanto menos generoso do que o oferecido pelo Lakers.

Em 2016, o já ex-comissário David Stern disse à Sports Illustrated:

“[…] que veto? O GM [Dell Demps], não estava autorizado à fazer a troca. E agindo como os donos da franquia, nós decidimos não fazer(a troca). Eu representava os donos. Não havia nada para “vetar”. Simplesmente não aconteceu”

E essa foi a única explicação dada para o caso.

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 O Super Time de 2012

 Depois da fracassada tentativa de trazer Chris Paul, a então diretoria do Lakers voltava a almejar grandiosas mudanças em 2012. Em Julho deste ano, o time anunciava a contratação de Steve Nash. A lenda do Suns, vencedora de 2 prêmios MVP da temporada regular e dono de uma carreira invejável no time do deserto, tinha 37 anos quando aceitou se juntar à Kobe Bryant, então com 34 anos, e Pau Gasol(32) para tentar buscar o primeiro título de sua carreira. O acordo era um sign-and-trade deal, ou seja, o Phoenix Suns renovou o contrato com o jogador, e logo em seguida o trocou para o time de Los Angeles. A troca custou ao Lakers duas picks de primeiro round(2013/2015) e duas de segundo round (2013/2014), sendo que seu contrato era de 27 milhões de dólares por 3 anos.

Meses depois, na mesma offseason, o Los Angeles Lakers faria uma troca junto ao Orlando Magic, Philadelphia 76ers e ao Denver Nuggets para adquirir o pivô Dwight Howard. Se prepara que o rolo foi grande: o acordo mandou para Orlando os jogadores Arron Afflalo e Al Harrington, ambos do Nuggets, Moe Harkless e Nikola Vucevic, do Sixers e ainda Josh McRoberts e Christian Eyenga do Lakers. O Lakers, por sua vez, recebeu Dwight Howard, Chris Duhon e Earl Clark do Magic. O time de Orlando também se desfez do armador Jason Richards para o Philadelphia, e recebeu uma pick de segundo round de 2012 e 2014 do Nuggets, uma pick protegida de Philadelphia, uma pick de segundo round protegida do Lakers em 2015 e, guarde isso, uma pick de primeiro round, sendo Top 3 protegida, do Lakers em 2017.

Aos desatentos, pode parecer que o Lakers fez um acordo de baixo risco, afinal o time não precisou se desfazer de nenhum jogador importante de seu elenco em nenhum troca, apenas picks. Mas tenha em mente o fato de que Steve Nash já tinha 37 anos e estava em óbvia decadência. Já Dwight Howard foi trocado em seu último ano de contrato, ou seja, existia a possibilidade do jogador deixar o time depois de apenas uma temporada(Spoiler alert, isso aconteceu). Pra completar a offseason, a diretoria escolhia o extremamente questionável Mike D’antoni para comandar esse time de estrelas. Resumindo, era um negócio de altíssimo risco, um verdadeiro tudo ou nada.

E foi nada. Justiça seja feita, o time não foi exatamente ruim, tivemos mais vitórias do que derrotas e conseguimos beliscar a penúltima vaga dos playoffs. Mas quem disser que não esperava mais de um time que foi montado pra ser um “Super Time” está certamente mentindo.

As expectativas eram tão altas que Kobe Bryant chegou a dizer, referindo-se à Dwight Howard: “Eu provavelmente jogarei mais 2 ou 3 anos. E então o time será dele. Estou feliz pelo time porque agora eles têm um jogador que pode carregar bem a franquia depois que eu for embora”. Mas porque exatamente esse time não saiu como o esperado?

Bom, quando se trata de Steve Nash, eu classificaria sua passagem no Lakers como desastrosa. E isso devido às suas inúmeras lesões. Pra se ter uma ideia, em sua primeira temporada ele jogou 50 jogos dos 82 da temporada. No ano seguinte foi ainda pior: atuou em apenas 15 jogos. Em seu terceiro ano, previsto em contrato, Nash sequer chegou a entrar em quadra. E honestamente, o que mais se deveria esperar de um atleta prestes a completar 38 anos? O fato da diretoria do Lakers ter oferecido um contrato de 3 anos à um atleta nesse ponto de sua carreira evidencia o quão imediatistas e inconsequentes Mitch Kupchak e companhia foram.

Já com Dwight Howard, o problema foi mais complicado ainda. O time simplesmente não conseguia ter nenhuma química. O Lakers de 2012/13 era mais um conjunto de jogadores de basquete que, por ventura usavam a mesma camisa, do que um time propriamente dito. E Dwight Howard era apontado como o Pivô(trocadilho alert) desse problema. A relação do jogador com Kobe Bryant, líder incontestável do time, não foi das melhores.

Kobe sempre foi conhecido por ser extremamente competitivo e por exigir muito de seus companheiros. Nada deixava Mamba mais irritado do que ver um companheiro de time fazendo “corpo mole”. Com Bryant o lema era: Dê o sangue em quadra ou nem entre em quadra. E, bom, pode-se dizer que Dwight Howard não dava se sangue em quadra. Anos depois, Kobe chegou a declarar: “Eu tentei ensinar Dwight. Eu tentei mostrar à ele. Mas a realidade é que, quando você tem a percepção do que é ganhar um campeonato, a maioria das pessoas pensa que é um clima leve, todos brincando e sendo amigos no vestiário o tempo todo. Essa é a percepção. E eu acho que essa era a percepção que ele tinha sobre isso. Mas quando ele viu a realidade, isso o deixou desconfortável. E é muito difícil lutar contra isso, lidar com esse desafio. E eu não acho que ele estava disposto a lidar com essa natureza desconfortável e combativa.”

Kobe e Dwight eram as inegavelmente as grandes estrelas desse time, e elas claramente queriam coisas diferentes. Quando você tem um time, e os dois principais jogadores desse time não estão na mesma página, não há a menor chance de seu time conseguir qualquer coisa importante.

Além de todos esses problemas, o Lakers ainda escolheu lidar da pior maneira com Pau Gasol. O pivô, que também sofreu com diversas lesões durante esse período, foi envolvido em diversos rumores de troca durante um bom tempo. A situação chegou à tal nível que isso não era mais parte dos bastidores do time: o Los Angeles Lakers queria a todo custo trocar Gasol. O espanhol chegou até a perder seu lugar no time titular de Mike D’antoni para Earl Clark, fato que desgastou ainda mais a relação do jogador com a franquia.

Gasol renegado, Nash machucado, Howard desmotivado e o “Super Time” de 2012-13 teve seu melancólico fim em uma varrida aplicada pelo Spurs nos playoffs daquele ano.

Logo na free agency seguinte, Howard não perdeu tempo e rapidamente assinou com o Houston Rockets, deixando o Lakers após apenas uma temporada de serviços prestados. Ah, e lembra que eu falei pra você guardar aquela pick que mandamos por ele? Pois é, se esse ano nós temos mais de 50% de chances de perder nossa pick de 1 round, isso é por conta da troca envolvendo o pivô. Valeu a pena a aposta, Mitch?

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Os fracassos das FA’s

A inegável incapacidade de Mitch Kupchak em trazer jogadores de peso nos períodos de contratações marcou negativamente a história recente da franquia. Vamos pegar 2 casos emblemáticos como exemplo.

No ano de 2014, um dos jogadores mais cobiçados do mercado era Carmelo Anthony, e o Lakers aparecia como forte candidato à contratação do jogador. A diretoria do time foi, rápida a oferecer um contrato ao jogador. E então, qual foi o erro? O time ficou completamente parado após oferecer o contrato ao jogador, não fazendo nenhum outro movimento enquanto não tivesse uma resposta de Carmelo. O resultado você já conhece: Carmelo não escolheu o Lakers e quando a franquia resolveu buscar outro alvo já era tarde demais, e os demais nomes de peso já estavam encaminhados à outros times.

Outro caso parecido foi o de LaMarcus Aldridge. Em 2015, o então jogador do Portland Trail Blazers resolveu explorar o mercado e novamente as chances do Lakers de contratar o jogador pareciam ser boas. A campanha para trazê-lo foi forte e contou com diversas personalidades de Los Angeles, e novamente o time focou boa parte de seus esforços em cima de um único jogador. O resultado foi risível. LaMarcus Aldridge saiu de sua reunião com os dirigentes do Lakers insatisfeito pois, segundo o que foi noticiado, a apresentação preparada para ele focou muito em “oportunidades externas” e pouco em basquete.

Com esses dois casos, acontecendo em dois anos seguidos, ficou evidente o ultrapassado pensamento da então diretoria do time. Os jogadores não se importam mais com o glamour que Los Angeles oferece. Eles querem anéis, querem um time bem montado ao seu redor, querem ao menos um plano. Este último não era possível de ser apresentado aos jogadores, já que ficava evidente que a diretoria do Lakers simplesmente não tinha um plano.

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 O fim de uma era

 O que um torcedor do Los Angeles Lakers pode escrever sobre Kobe Bryant? 5 títulos, 7 finais de conferência, mais de 33 mil pontos e 20 anos de devoção total e completa à franquia. Kobe respirava Lakers e sangrava purple and gold. Acho que nem ele e nem nós, torcedores, mudaríamos nada nessa homérica trajetória, a não ser por uma coisa. Como ela acabou.

12 de Abril de 2013. O Lakers enfrentava o Golden State Warriors no penúltimo jogo da temporada, quando à 40 segundos do fim do jogo, em um lance comum, Kobe rompia o tendão de Aquiles, e iniciava-se assim seu triste fim como jogador.

Na temporada seguinte, Bryant jogou a penas 6 jogos. Em 2015 foram 35. Com a situação agravada ainda mais por uma lesão do ombro, Kobe nunca mais conseguiu ser o Kobe que todos conheciam. Não que tenha sido por falta de vontade, longe disso, o Black Mamba fez o possível e o impossível em seu processo de recuperação para poder oferecer mais de si ao time. Com se, depois de todas as conquistas, ele sentisse que ainda devia algo para a franquia, ou que ainda precisasse provar algo a alguém. Não esperaríamos nada diferente de uma pessoa tão competitiva como ele.

A verdade é que o Lakers não estava pronto pra seguir em frente sem Kobe. Não porque ele ainda ocupava parte enorme do Salary Cap, ou porque diziam que ele afastava outras estrelas de assinarem com a franquia. Mas porque ele ainda era o grande líder desse time já fragilizado. O Los Angeles Lakers ainda era o time de Kobe Bryant, e subitamente isso mudou. O time já não tinha mais ele para carregá-lo durante uma longa temporada de 82 jogos. Nem para colocar o time de volta ao jogo depois do adversário atingir uma boa diferença no placar. Nem mesmo para mandar aquela bola decisiva pra ganhar a partida.

Sem perspectiva para contratar bons jogadores na off season e com jovens jogadores no elenco, o Lakers entrava na temporada 2015-16 com apenas um objetivo em mente: dar à Kobe Bryant o adeus que ele merece. Portanto, de maneira não intencional, o time foi colocado “em segundo plano” em prol de Kobe Bryant, até que ambos possam depois de tanto tempo, seguir em frente um sem o outro.

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 Novo capítulo, novos erros

 Sob severas críticas e uma desconfiança enorme, a diretoria do Lakers buscava escrever um novo capítulo: O Lakers pós Kobe. Após demitir o contestado técnico, Byron Scott e selecionar Brandon Ingram no draft de 2016, o time parecia enfim estar entrando no caminho certo. Com um jovem e promissor elenco e muito dinheiro para gastar, as expectativas para o Lakers na off season eram relativamente boas, mesmo que o time ainda esteja pagando por erros cometidos no passado. E novamente, Mitch Kupchak e Jim Buss não demoraram em condenar a franquia com novos e ainda mais estúpidos erros. O Lakers estreou a off season oferecendo o que, discutivelmente, pode ter sido o pior contrato da história da franquia: 64 milhões de dólares em 4 anos foram gastos com o ex-pivô do Cleveland Cavaliers, Timofey Mozgov, já nas primeiras horas do período de contratações.

Caso não tenha ficado claro ainda à alguns de vocês o porque desse ter sido, na opinião deste que vos fala(ou escreve), o pior erro da franquia nesses últimos anos, irei ilustrar com alguns fatos. Nos playoffs que culminaram no título do então time de Mozgov, o russo marcou um total de 15 pontos. Uma pequena lista de jogadores que ganharam menos que Mozgov em 2016, se considerarmos apenas seus contratos: Stephen Curry, Kyle Lowry, James Harden, Isaiah Thomas. Não vamos excluir o fato de que diversos contratos no mínimo duvidosos foram assinados por vários times da liga, mas nenhum desses se compara ao de Mozgov. O que ilustra meu ponto é o fato de que o jogador, ao longo da temporada, acabou perdendo boa parte de seu espaço na rotação para Ivica Zubac, um jovem pivô de apenas 20 anos de idade, que nem sequer era esperado para estrear na NBA em 2016.

E ainda temos que falar sobre Luol Deng. O jogador de 31 anos, que já chegou a ser All Star, já não jogava de maneira satisfatória a um certo tempo. Isso não impediu, porém, a diretoria do Lakers de oferecer à ele um astronômico contrato de 4 anos no valor de 72 milhões de dólares.

Ainda pagando por sérios erros do passado, a diretoria do Lakers novamente erra de maneira grave ao comprometer o teto salarial do time por 4 anos com jogadores de utilidade extremamente questionável e que não são exatamente jovens.

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A família Buss

Jerry Buss foi, provavelmente, o maior dono de uma franquia que os esportes americanos já viram. Para se ter uma ideia, 10 títulos foram conquistados pelo Lakers durante seu tempo de vida. Mas, em 2013 Jerry acabou falecendo aos 80 anos de idade, passando então a franquia para o controle de seus filhos.

Jeanie Buss assumiu a chefia dos negócios, enquanto seu irmão Jim continuou no cargo que já ocupava, o de Presidente das Operações de Basquete. Após tantos erros e a inabilidade da família e da direção em levar a franquia ao topo novamente, diversos rumores surgiram rondando o futuro da família Buss. Muitos pediam a venda da franquia, a demissão de Jim, de Jeanie, do então General Manager Mitch Kupchak e a confusão nos bastidores aumentava cada dia mais.

Até que em fevereiro de 2017, Jeanie resolve finalmente tomar a atitude que todos esperavam: demitir Mitch Kuptchak e seu irmão Jim Buss, substituindo-o por Magic Johnson. O que ninguém sabia é que essa atitude fez parte de um drama muito maior.

A situação, resumidamente, é a seguinte: O Lakers é atualmente pertencente ao Trust da família Buss, que é controlado por Jeanie, Jim e Johnny Buss, sendo que Jeanie é a chefe administrativa do grupo. Porém, para permanecer nesta posição, Jeanie precisa necessariamente fazer parte do Conselho Administrativo da franquia. E recentemente, foi revelado que Jim e Johnny planejavam meios de retirar Jeanie deste conselho, fazendo com que ela perca o direito de dirigir a franquia. O fato acabou gerando uma batalha judicial entre os irmãos, que brigam entre si para tentar tomar o controle da franquia.

O julgamento ocorrerá no dia 15 de maio de 2017, e decidirá definitivamente o futuro administrativo da franquia. E até lá tudo continua como está agora, Jeanie comandando, Magic Johnson na Presidência de Basquete e Robert Pelinka como General Manager. Porém, é impossível não ser receoso com o futuro do time quando não se sabe nem quem será o chefe da franquia daqui a 2 meses. Apesar de isso já ter sido dito como improvável de acontecer, o que será do Los Angeles Lakers se Jim e Johnny Buss ganharem a ação contra Jeanie? Magic será demitido? Jim voltará á seu cargo, depois de todos esses erros cometidos? Rob Pelinka continuará como GM do time? Infelizmente, no momento parece que os assuntos extra quadra são a principal preocupação da diretoria do time, algo que nunca deveria acontecer em nenhuma franquia esportiva.

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Luz no fim do túnel?

É inegável que estamos atualmente pagando por diversos erros cometidos em um passado recente, e que ainda estaremos pagando por alguns destes erros no futuro. Mas apesar de tudo, o Lakers hoje é um time renovado. Jogadores jovens, novo técnico, novo General Manager, novo Presidente de Operações de Basquete e nova comissão. Por mais que ainda possa haver dúvidas e um longo processo pela frente, o fato de que os responsáveis por erros tão grotescos já não estão mais na franquia, já é algo para de comemorar.

Em 2017 o Lakers definitivamente começou uma nova era, um novo capítulo. Foi preciso morrer para renascer de uma forma completamente renovada, sem nunca esquecer dos erros do passado. E olhando pelo lado bom: no fundo do poço a franquia já chegou, então daqui pra frente só podemos subir. E disso o Lakers entende.

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